XVIII
MINISTRO DA JUSTIÇA
O Príncipe bocejou
Não tinha mais que fazer:
- Acho que me vou embora
Antes do entardecer.
Mas o Rei interferiu:
- Não partas, é uma ordem.
Farei de ti um ministro...
E acabará a desordem.
- Serei ministro de quê...
Se eu não vejo aqui ninguém?
- Oh! Ministro da Justiça.
- E irei julgar a quem?
O Rei parou um instante:
- A ti mesmo irás julgar.
Verás que é o mais difícil...
Por isso, é vago o lugar.
É fácil julgar os outros,
Apresentados às resmas;
Verdadeiras são aquelas
Que o fazem a si mesmas.
Concordou com ele o Príncipe
Mas tentou se desculpar:
-Pra fazê-lo a mim mesmo
Não preciso aqui morar.
O Rei, porém, retrocou:
-Aqui no planeta tem
Um velho rato malvado,
Que não deixa em paz ninguém!
Condená-lo-ás à morte...
Não julgarás mais nenhum.
Depois, o perdoarás...
Porque aqui só temos um.
E o jovem Príncipe riu:
- Eu daqui vou dar no pé.
Este Rei quer muita coisa...
E eu nem sei bem quem ele é.
O Rei fez nova proposta:
- Eu te faço embaixador.
Serás o representante
Do meu País no exterior.
A convite tão honroso
O Príncipe disse “não”:
- Eu não posso alimentar
Sonhos, vaidade... ilusão!

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