XIX
ENCONTRA
O REI VAIDOSO
Já no segundo planeta,
O Príncipe suspirou:
- Enfim, só... livre do rei.
Mas pouco lhe adiantou:
2
- Chegou um admirador
Veio pra me visitar...
Pra conhecer minha casa
E as belezas do meu lar.
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Era um notável vaidoso...
Vestia-se de mil cores;
Para ele todos os homens
Eram seus admiradores
O Príncipe respondeu-lhe
- Bom dia. Tens um chapéu
Que é muito, muito, engraçado!
Prefiro cabeça ao léu!
- Nada a ver, diz o vaidoso.
É só para agradecer
A todos que me saúdam
Quando chegam pra me ver.
Infelizmente faz tempo
Que ninguém por aqui passa.
Gosto muito dumas palmas...
Bate com força, com raça.
Quero ouvir as tuas palmas
Pra também te agradecer...
Bate as mãos uma na outra
Até que as sintas arder.
O Príncipe bateu forte,
Com tamanha empolgação
Que o vaidoso até soltou
O chapéu de sua mão.
Fez vênias com a
cabeça
E pediu repetição.
Chapéu pra cima e pra
baixo,
Explodindo de emoção.
Que faço? pensava o
Príncipe:
-Oh, meu Deus, o que é isto?
É vaidade ou é orgulho?
Vou dar o fora, está visto!
Na hora da despedida,
Quis do Príncipe saber:
-Pra levar o teu chapéu
O que devo eu fazer?
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O vaidoso fez-se
surdo...
Nunca ouve o que não
quer;
Mas sempre ouve os
elogios
Venham eles de quem
vier.
E virou-se para o
Príncipe:
- Verdade que o povo
diz,
Que és meu grande
admirador?
Pois, fico muito
feliz!
O Príncipe retrucou:
- Admirar! Que quer dizer?
O vaidoso
respondeu-lhe
Pelo seu modo de ver:
- É tu me reconheceres
O mais belo entre as
gentes,
Mais bem vestido e
mais rico,
O rei dos inteligentes!
Pensa um pouco mais o
Príncipe
Pois não quer dar-lhe
um desgosto:
- Claro que te admiro muito...
Não vejo aqui outro rosto!
- Está bem, isso me
basta.
Diz o vaidoso a
sorrir.
E o Príncipe
aproveitou,
Tratou logo de sair.
E foi-se embora
pensando:
-Cada um tem suas manhas,
Mas, de fato, este exagera:
São ridículas e estranhas!
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