XVII – UM PEDIDO
MUITO ESTRANHO
O Príncipe visitante
Pegou o fraco do rei
E fez-lhe um pedido
estranho
Bem oposto a qualquer
lei:
2
- Quero ver o pôr do sol
Umas cem vezes por dia,
Sem afastar a cadeira,
Pois assim sempre fazia.
O rei reconsiderou:
- Se eu mandar meu general
Pular duma flor à outra,
Mando bem ou mando mal?
Ele não é borboleta.
É preciso exigir
Só o que pode ser feito
Pra que o sol me possa ouvir.
Repara bem, ó meu súdito,
No meu poder invisível:
Eu não sou um idiota...
Só ordeno o que é possível.
Presta atenção nesta máxima
E nunca a uses em vão:
Toda autoridade sábia
Se baseia na razão.
Tenho direito a exigir
Obediência total,
Pois tudo o que determino,
Ou é bom ou menos mal.
O pôr-do-sol ? lembra o príncipe.
- Sim, diz, vou já exigi-lo.
Não é fácil, mas tu sabes,
Que será em grande estilo.
Deixa ver o calendário,
Vou resolver logo agora:
Tem vaga para hoje à noite...
Comigo não há demora.
Esperei a tarde
inteira
E até alta madrugada,
Mas o sol nem deu as
caras.
Esperei, mas não vi
nada!
Assim fazem os
humanos,
Pensei com os meus
botões :
Promessas e mais
promessas
Que não passam de
ilusões!

Nenhum comentário:
Postar um comentário