quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Pequeno Príncipe despede-se da sua flor


XIV – DESPEDINDO-SE

DA SUA FLOR

 
 
Não parou o jovem Príncipe,
Depois dos vulcões limpar;
Pegou a foice e machado
Disposto a continuar.
 
Foi a vez dos baobás
Entrarem no esquecimento...
Não ficou em pé nenhum,
Nem o último rebento!
 
Fê-lo com certa tristeza...
Não fariam falta um dia?
Na dúvida, pela flor...
Prosseguiu no que fazia.
 
E todos esses trabalhos,
Rotineiros e execráveis,
Pareceram bem ao Príncipe,
Sinceramente agradáveis!
 
A alegria durou pouco:
Quando no último dia
Foi regar a sua flor
Todo o corpo estremecia.
 
De chorar sentiu vontade...
Mas tinha que prosseguir;
Regou, pô-la na redoma,
E disse: - adeus, vou partir.
 
A rosa não respondeu.
- Adeus - disse-lhe outra vez,
Mas ela apenas tossiu...
 Nada disse e nada fez!
 
Tal ausência de censura
Deixa o Príncipe parado
Com a redoma nas mãos
E meio desnorteado.
 
A rosa quebra o silêncio:
- Se não és feliz comigo,
Não te vou prender aqui...
Nem tão pouco vou contigo.
 
 
Em breve tu voltarás,
Mais depressa do que pensas:
Teu coração é tão fraco....
E as saudades tão intensas.

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