quarta-feira, 7 de maio de 2014

DOR DA DESPEDIDA DO PEQUENO PRINCIPE

XV – A  DOR  

DA  DESPEDIDA

 
 
O Príncipe tenta dar
Uma justa explicação:
-O dever me faz partir
Mas fica o meu coração.
 
Logo a rosa o deixa em paz:
- És tão tolo quanto eu...
Podes tentar novo amor...
Para mim, basta-me o teu!
 
Leva contigo a redoma,
Pois bom jeito te fará
A aragem da noite é vida,
É o que dizem por cá.
 
O Principezinho tenta
Mostrar-se preocupado:
- Mas, os bichinhos à noite...
Tens que ter maior cuidado.
 
A flor logo respondeu:
-É preciso que eu suporte
Umas duas ou três larvas
Pra vir a ficar mais forte.
 
As borboletas chegando
Já nem eu me assustarei.
Dizem que são muito lindas...
Se são ou não, eu não sei.
 
Quanto aos bichinhos maiores,
Não tenho medo nenhum;
Se soltar as minhas garras,
Aposto, não fica um.
 
Mostrou-lhe ingenuamente
Que tinha também espinhos.
E, voltando à despedida,
Disse em meio a mil carinhos:
 
- Vai fazer logo o que queres,
Mas por favor não demores
A voltar pro meu convívio...
Vai, vai logo antes que chores.
 
A flor pediu muitas vezes
Pro Príncipe se afastar,
Pois não queria que visse
Ela também a chorar.
 
O abraço da despedida
Bem curtinho deve ser
Pra sobrar muito mais tempo
Pra hora de se rever.

 

 

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