IX– O REI VERMELHO
Eu conheço um rei vermelho:
Nunca cheirou uma flor;
Nunca olhou para uma estrela;
E nunca teve um amor...
Não dá bola pra ninguém
Trancado o dia inteiro;
Pode até cair o mundo
Que só pensa no dinheiro.
Nada mais é coisa séria,
Nem tão pouco sabe amar
Além do dinheiro vil
Que sorri só pro matar.
E de tanto fazer contas,
Está todinho amarelo.
Diz até que é homem sério...
Mais parece um cogumelo!
Cogumelo?
Repetiu.
- Sim.... – E logo retornou
À notícia dum carneiro
Que até as rosas rapou:
- Há milhões e milhões de
anos
Que os carneiros comem
flores,
Mesmo as rosas com espinhos,
Na cara dos caçadores!
No meu planeta só resta
Uma flor, linda e formosa...
Mas o perigo é constante
E me deixa em polvorosa.
Ela é única no mundo,
E vive entre os baobás...
Pode comê-la o carneiro
Sem saber o que é que faz.
Isto não é coisa séria?
Pois me toma o dia inteiro;
Ou tem menos importância
Do que tu contar dinheiro?
Mesmo que eu tenha escolhido
Somente uma para amar,
Entre milhões e milhões,
Não posso mais descansar.
Quem no céu tem sua estrela
Procura saber qual é;
Mas se todas elas brilham
Vai-se o medo, fica a fé
Toda a vez que o céu
contemple,
Seja do ângulo que for,
Será feliz por inteiro...
Vê brilhando o seu amor.
Se o carneiro come a flor ...
Já pensaste que miséria?
Morrem todas as estrelas ...
Isso não é coisa séria?
Para que serve o dinheiro
Sem um amor pra doar?
De que adianta ter olhos
Sem estrelas pra olhar?

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