sexta-feira, 25 de abril de 2014

O CARNEIRO E AS FLORES


VIII – O CARNEIRO E AS FLORES


 

 

Quinto dia de deserto

E o meu avião sem motor...

Mas amanheceu o Príncipe

Muito mais conversador:

 

- O carneiro come flores?

- Sim. Respondi com firmeza.

- Mesmo as flores com espinhos?

- Retruquei, não dá moleza!

 

Ficou muito preocupado...

Suou frio de pavor:

- Quem come baobasinhos

Come também uma flor?

 

Pensou por mais uns instantes:

- Pra que servem os espinhos?

- Pra nada! Pura maldade

Das flores com seus vizinhos.

 

Irritou-se, e repensou:

- Se indefesa é uma flor,

Com seus espinhos é forte...

Pode impor-se com vigor.

 

Que conversa! Isso me irrita.

Tenho as mãos cheias de graxa,
 
Motor parado... com flores?
 
Não sei que graça lhes acha.
 

 
Novamente insiste o príncipe,
 
Alheio aos meus afazeres:

- E tu que pensas das flores?

- Só penso nos meus deveres.
 

 

Surpreso, repete o príncipe:

- Meus deveres! Coisa séria!

Assim fala a gente grande...

E  sempre a mesma miséria!
 
 

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