VIII – O CARNEIRO E AS FLORES
Quinto dia de deserto
E o meu avião sem motor...
Mas amanheceu o Príncipe
Muito mais conversador:
- O carneiro come flores?
- Sim. Respondi com firmeza.
- Mesmo as flores com espinhos?
- Retruquei, não dá moleza!
Ficou muito preocupado...
Suou frio de pavor:
- Quem come baobasinhos
Come também uma flor?
Pensou por mais uns instantes:
- Pra que servem os espinhos?
- Pra nada! Pura maldade
Das flores com seus vizinhos.
Irritou-se, e repensou:
- Se indefesa é uma flor,
Com seus espinhos é forte...
Pode impor-se com vigor.
Que conversa! Isso me irrita.
Tenho as mãos cheias de graxa,
Motor parado... com flores?
Não sei que graça lhes acha.
Novamente insiste o príncipe,
Alheio aos meus afazeres:
- E tu que pensas das flores?
- Só penso nos meus deveres.
Surpreso, repete o príncipe:
- Meus deveres! Coisa séria!
Assim fala a gente grande...
E sempre a mesma miséria!
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