sábado, 19 de abril de 2014

O CARNEIRO


IV – DESENHANDO O CARNEIRO

 
 
Estou muito preocupado,
E tu podes me ajudar,
-Sussurra o principezinho
Já bem prestes a chorar.
 
-Diz-me lá o que tu queres...
Desabafa, põe pra fora.
Não deixarei pra amanhã
Sem te ver sorrir agora.
 
- Já te disse, e esqueceste,
Desenha-me um carneirinho...
E seremos bons amigos
Durante todo o caminho.
 
- Sabes como é um carneiro?
- Não sei nem quero saber.
Anda, obedece, desenha...
Tenho pressa de o ver.
 
Pensei naquele desenho
Feito quando era criança...
Todo o mundo reprovou,
Não me sai mais da lembrança!
 
Talvez exista saída
Que me venha redimir:
Se não conhece o carneiro...
Qualquer coisa vai servir!
 
Reproduzi, no capricho,
Um desenho muito antigo
Da jiboia e do elefante:
- Toma lá, leva-o contigo.
 
O principezinho olhou
E franziu as sobrancelhas:
- É jiboia? É elefante? 
Ou é um ninho de abelhas?...
 
O elefante é muito grande!
A jiboia é perigosa!
Tudo é pequeno onde eu moro...
E lá vive a minha rosa!
 
Tenho que a proteger...
Desenha o que eu te pedi:
Um carneirinho saudável,
Que eu possa levar daqui.
 
Mostrei-lhe um outro desenho...
Mas também o rejeitou:
- Isso é um bode com chifres!
Ninguém o encomendou.
 
Quero um carneiro novinho
Que coma pouco capim,
E que muito tempo viva,
Mas sempre perto de mim.
 
Esgotei a paciência...
Fiz um desenho, por fim,
Bem no formato de caixa:
- Prontinho, está bem assim?
 
- Beleza!  Responde o príncipe,
É uma caixa preciosa...
O carneiro está lá dentro?
A salvo está minha rosa!
 
Logo, inclinando a cabeça
Sobre esse rascunho aberto,
Como um anjo adormeceu
Nas areias do deserto.
 
(cont...)
 

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