quarta-feira, 30 de abril de 2014

PEQUENO PRINCIPE : O REI VERMELHO


 

 

IX– O REI VERMELHO

 
 
Eu conheço um rei vermelho:
Nunca cheirou uma flor;
Nunca olhou para uma estrela;
E nunca teve um amor...
 
Não dá bola pra ninguém
Trancado o dia inteiro;
Pode até cair o mundo
Que só pensa no dinheiro.
 
Nada mais é coisa séria,
Nem tão pouco sabe amar
Além do dinheiro vil
Que sorri só pro matar.
 
E de tanto fazer contas,
Está todinho amarelo.
Diz até que é homem sério...
Mais parece um cogumelo!
 
Cogumelo? Repetiu.
- Sim.... – E logo retornou
À notícia dum carneiro
Que até as rosas rapou:
 
- Há milhões e milhões de anos
Que os carneiros comem flores,
Mesmo as rosas com espinhos,
Na cara dos caçadores!
 
No meu planeta só resta
Uma flor, linda e formosa...
Mas o perigo é constante
E me deixa em polvorosa.
 
Ela é única no mundo,
E vive entre os baobás...
Pode comê-la o carneiro
Sem saber o que é que faz.
 
Isto não é coisa séria?
Pois me toma o dia inteiro;
Ou tem menos importância
Do que tu contar dinheiro?
 
Mesmo que eu tenha escolhido
Somente uma para amar,
Entre milhões e milhões,
Não posso mais descansar.
 
Quem no céu tem sua estrela
Procura saber qual é;
Mas se todas elas brilham
Vai-se o medo, fica a fé
 
Toda a vez que o céu contemple,
Seja do ângulo que for,
Será feliz por inteiro...
Vê brilhando o seu amor.
 
Se o carneiro come a flor ...
Já pensaste que miséria?
Morrem todas as estrelas ...
Isso não é coisa séria?
 
 
Para que serve o dinheiro
Sem um amor pra doar?
De que adianta ter olhos
Sem estrelas pra olhar?
 

 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O CARNEIRO E AS FLORES


VIII – O CARNEIRO E AS FLORES


 

 

Quinto dia de deserto

E o meu avião sem motor...

Mas amanheceu o Príncipe

Muito mais conversador:

 

- O carneiro come flores?

- Sim. Respondi com firmeza.

- Mesmo as flores com espinhos?

- Retruquei, não dá moleza!

 

Ficou muito preocupado...

Suou frio de pavor:

- Quem come baobasinhos

Come também uma flor?

 

Pensou por mais uns instantes:

- Pra que servem os espinhos?

- Pra nada! Pura maldade

Das flores com seus vizinhos.

 

Irritou-se, e repensou:

- Se indefesa é uma flor,

Com seus espinhos é forte...

Pode impor-se com vigor.

 

Que conversa! Isso me irrita.

Tenho as mãos cheias de graxa,
 
Motor parado... com flores?
 
Não sei que graça lhes acha.
 

 
Novamente insiste o príncipe,
 
Alheio aos meus afazeres:

- E tu que pensas das flores?

- Só penso nos meus deveres.
 

 

Surpreso, repete o príncipe:

- Meus deveres! Coisa séria!

Assim fala a gente grande...

E  sempre a mesma miséria!
 
 

O PÔR DO SOL


VII – O PÔR DO SOL


  

O Príncipe andava triste!

Por não saber o motivo,

Consolá-lo era difícil...

E eu não tinha um lenitivo.

 

Perguntei-lhe o que queria.

Respondeu-me alheio a tudo:

- Quero ver um pôr do sol.

É só isso?! Fiquei mudo.

 

Então ele continuou:

-Eu já vi o pôr do sol

Quarenta vezes ao dia...

Muito lindo o arrebol!

 

- Quarenta vezes ao dia?!

Mentira grande demais,

Pois só se dá uma vez

Cá entre nós, os mortais.

 

Jurava que o irritei.

Respondeu-me de paixão:

-Sempre penso estar em casa....

De lá tenho outra visão.

 

Meu planeta é tão pequeno

Que, logo que o sol se mete...,

É só dar um passo em frente

Que o pôr do sol se repete.

 

E quando a gente está triste,

É muito consolador

Contemplar um pôr do sol

Pra afogar a nossa dor.

 
Percebi pelo seu rosto,
 
Pois nisso somos iguais,
 
Que enorme preocupação

O sufocava demais.
 

 



 




quinta-feira, 24 de abril de 2014

OS BAOBÁS

 

VI – OS BAOBÁS

 
 
Foi ganhando confiança,
Mostrando assim ao que veio.
Tinha mil preocupações,
Mas sempre usava um rodeio.
 
Cada dia que passava,
Ia ele mais se abrindo:
Falou que seu planeta era
Pequeno, mas muito lindo!
 
De pouca terra, mas fértil,
Muitas árvores e arbustos,
Mas cheio de rachaduras...
Já passou por muitos sustos!
 
De repente, olhou pra mim:
- Carneiros comem arbustos?
E também limpam os campos?
Tudo isso a baixos custos?
 
Foi então que me contou
O drama dos Baobás
Que invadiram seu planeta:
- São pragas, e muito más!
 
As raízes são profundas,
Abalam as estruturas;
Sufocam as plantações,
Chegam a grandes alturas!
 
Confundem-se com arbustos,
Quando ainda são pequenos;
Mas, se os carneiros os comem,
No futuro serão menos!
 
Por isso, eu quero um carneiro
Pra comer os baobás
Enquanto são pequeninos,
Sem deixar nenhum pra trás!
 
Onde houver um Baobá,
Não tem rosa que resista.
E eu tenho lá minha rosa...
Não vou perdê-los de vista.

 

 

DE ONDE VEIO

V - DE ONDE VEIO

 
 
Diz o Príncipe: que é isso?
Que objeto mais estranho!
- É um pequeno avião
Apenas do teu tamanho!
 
Ficou feliz e exclamou:
- Também tu vieste do céu?
De que planeta tu és?
Lá também se usa chapéu?
 
Esta figura bizarra,
Com pinta mais de um androide,
Viera de algum planeta!
Ou, talvez, de um asteroide.
 
Mais intrigado fiquei
Quando  este meu visitante
Confessou que  sua casa
Era pequena e distante.
 
Fiz-lhe, então, várias perguntas:
- Tens família, tens irmãos?
O teu povo é numeroso?
São mais jovens que anciãos?
 
Mas ele não respondeu
A nada que perguntei...
Fazia novas perguntas
Pra saber tudo o que eu sei.
 
Curioso ao extremo,
Tudinho levava a sério,
Mas dele nada saía...
De onde vinha? Era um mistério!
 

 

 

 

 

 

 


 

sábado, 19 de abril de 2014

O CARNEIRO


IV – DESENHANDO O CARNEIRO

 
 
Estou muito preocupado,
E tu podes me ajudar,
-Sussurra o principezinho
Já bem prestes a chorar.
 
-Diz-me lá o que tu queres...
Desabafa, põe pra fora.
Não deixarei pra amanhã
Sem te ver sorrir agora.
 
- Já te disse, e esqueceste,
Desenha-me um carneirinho...
E seremos bons amigos
Durante todo o caminho.
 
- Sabes como é um carneiro?
- Não sei nem quero saber.
Anda, obedece, desenha...
Tenho pressa de o ver.
 
Pensei naquele desenho
Feito quando era criança...
Todo o mundo reprovou,
Não me sai mais da lembrança!
 
Talvez exista saída
Que me venha redimir:
Se não conhece o carneiro...
Qualquer coisa vai servir!
 
Reproduzi, no capricho,
Um desenho muito antigo
Da jiboia e do elefante:
- Toma lá, leva-o contigo.
 
O principezinho olhou
E franziu as sobrancelhas:
- É jiboia? É elefante? 
Ou é um ninho de abelhas?...
 
O elefante é muito grande!
A jiboia é perigosa!
Tudo é pequeno onde eu moro...
E lá vive a minha rosa!
 
Tenho que a proteger...
Desenha o que eu te pedi:
Um carneirinho saudável,
Que eu possa levar daqui.
 
Mostrei-lhe um outro desenho...
Mas também o rejeitou:
- Isso é um bode com chifres!
Ninguém o encomendou.
 
Quero um carneiro novinho
Que coma pouco capim,
E que muito tempo viva,
Mas sempre perto de mim.
 
Esgotei a paciência...
Fiz um desenho, por fim,
Bem no formato de caixa:
- Prontinho, está bem assim?
 
- Beleza!  Responde o príncipe,
É uma caixa preciosa...
O carneiro está lá dentro?
A salvo está minha rosa!
 
Logo, inclinando a cabeça
Sobre esse rascunho aberto,
Como um anjo adormeceu
Nas areias do deserto.
 
(cont...)
 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

SOBRE O AUTOR DO PEQUENO PRÍNCIPE


 

II – SOBRE O AUTOR


 

 

O primeiro “coup d´oeil”

Voou sobre o seu autor:

- Um piloto de Lyon,

Que pensava em ser pintor!

 

Sonha com grandes florestas...
 
Mas acorda esbaforido:
 
Por uma enorme jiboia
 
O elefante é engolido !

 
Mal o sonho acabou,

Logo um outro renasceu:

- Vou ser um grande pintor.

Este, sim, é sonho meu!

 

Pegou  um pincel e tinta

E uma folha de papel...

Foi seu primeiro desenho

Uma cena bem cruel!

 

Mais cruel foi para ele

Ver que a todos dava medo;

Mas nem pequenos, nem grandes

Desvendavam o segredo.

 

Diziam que era um chapéu!

Caprichou mais no segundo...

Bem visível, o elefante!

E a jiboia lá no fundo.

 

Desiludido, e cansado

De tantas explicações,

Deixou os pincéis de lado...

Foi pilotar aviões.

 

Comoveu-me vê-lo órfão

Aos cinco anos de idade!

Sua paixão por aviões

Devolveu-me à mocidade...

 

Como piloto de guerra,

Viu tudo o que não queria...

Não se omitiu dos deveres,

Mas só fez o que devia!

 

Guiado pelo destino,

Se é este o nome mais certo,

Foi para longe da guerra...

Pousou em pleno deserto!

 

Avião avariado,

E ninguém para ajudá-lo...

Mais parecia um castigo,

Que um prêmio a confortá-lo.

 

Passou a primeira noite,

Nem tão bem, nem muito mal:

O colchão era de areia

E o silêncio era total!

 

Um dia, em pleno deserto,

Teve uma alucinação...

A partir desse momento,

Nova vida entra em ação!

 

Esta história é muito linda...

E repleta de emoções!

Tem suspense, tem ação,

De rasgar os corações!

 

É linda! linda demais

Para em prosa ser contada...

Vamos, pois, fazê-lo em verso

Pra que não lhe falte nada.

 

Esquece teus afazeres...

Vale a pena te isolar.

Acompanha verso a verso

O que o autor vai te contar:

ELE, O PEQUENO PRÍNCIPE

 

III – O PEQUENO PRÍNCIPE

(Fala o autor do livro do Pequeno Príncipe) 
 
Quero contar pra vocês
Como Deus escreveu certo
E apagou-me as linhas tortas
Nas areias do deserto:
 
Vivia triste, sozinho,
Sem ninguém pra conversar,
Até que sofri uma pane
E no deserto fui parar.
 
Alguma coisa quebrara
No motor do avião;
Sem mecânico comigo,
Tentei o conserto em vão.
 
Com água para oito dias,
Tinha que tentar de novo.
Questão de vida, ou de morte,
Num lugar sem nenhum povo.
 
Eis que surge um jovenzinho...
Mas, de onde veio, afinal?
Do céu, nas asas do vento?
Da terra, de areia e sal?
 
Roupa simples, mas de príncipe,
Franzino, estatura média,
Rosto meigo, voz suave,
Refrigério na tragédia!
 
Cabelo loiro, ondulante,
Vai chegando sorrateiro
E faz-me logo um pedido:
-Hei! desenha-me um carneiro!
 
Eu fiquei estupefato
Sem saber o que fazer...
Se a figura me era estranha,
Mais estranho o seu dizer!
 
Mistério impressionante!
Passei a obedecer.
Mas por quê, logo um carneiro?
Mais tarde vim a saber!
 
Veio dum planeta estranho
Este príncipe mirim.
Algo de muito importante
Trouxe-o pra junto de mim.
 
O carneiro era apenas
A ponta do “iceberg”...
Por trás daquela figura,
Um novo mundo se ergue.
 
Levei tempo pra entender
Donde vinha, sem asinhas!
Enchia-me de perguntas...
Mas não escutava as minhas.
(cont....amanhã)