XXVI
O PLANETA
DO
PEQUENO PRÍNCIPE
O
geógrafo disse ao Príncipe:
- Senta aqui nesta
banqueta...
Como és bom explorador,
Descreve aqui teu planeta.
Gostou das anotações
Do seu mais novo subalterno
Feitas minuciosamente
A lápis sobre o caderno:
-Um planeta bem pequeno,
Com um só embaixador,
Mas com dois vulcões ativos,
Um extinto... e uma flor.
- Nenhum valor tem a flor
Porque rápido fenece...
Tudo quanto é perecível
O geógrafo desconhece.
E logo lhe foi dizendo:
- As anotações trazidas,
Somente se confirmadas,
Serão, por fim, acolhidas.
- Minha flor não é efêmera;
Perecível também não,
Esclarece logo o Príncipe
Com voz forte de emoção!
Muito bem, diz o geógrafo:
- Os livros de geografia
Nunca dão informações
Do que morre ou se atrofia.
As montanhas não se mudam,
Os oceanos não morrem,
As estradas duram anos...
E os desertos não encolhem.
E pra arrematar de vez,
Diz o geógrafo malvado:
-Fala de coisas eternas
E deixa as flores de lado.
- Minha flor não é efêmera,
Jamais ela irá morrer,
Repete o Principezinho,
Eu nasci pra defender.
Ela tem só quatro espinhos
E é órfã, vive sozinha...
Se pra ti ela é efêmera,
Para mim ela é rainha.
Vou voltar pra junto dela...
Vou lhe dar o meu amor;
Vou fazê-la viver sempre...
E tu vais lhe dar valor!
fim
