quarta-feira, 4 de junho de 2014

O Príncipe PROVOCA o Empresário


XXII

O PRINCIPE

PROVOCA O EMPRESÁRIO

 
 
Diz–lhe o Príncipe: que contas
São essas tão complicadas
Olhando o céu toda a noite
E as estrelas apagadas?
2
O empresário não gostou
De ser chamado à atenção;
Mostrou uma cara feia
Mas usou de educação:
3
- Conto tudo o que reluz
Noite e dia lá no céu...
Tem muita coisa escondida
E muito pouca ao léu.
O Príncipe retrucou-lhe:
- São vaga-lumes ou moscas?
Isso que vês lá nos céus
Mais parecem folhas toscas.
5
- Nada disso. São estrelas,
Respondeu-lhe o empresário,
Já foram catalogadas
Nas folhas do meu diário.
6
Eu possuo cada uma.
Elas sabem: sou seu rei.
Conhecem bem o meu nome,
Mas o delas eu não sei.
7
O Príncipe discordou;
Nenhum rei possui alguém.
Não mandam sequer nos súditos,
Nem são donos de ninguém.
8
- E as estrelas pra que prestam
Tão distantes nas alturas?
Se não podes chegar perto
Nem penses em aventuras.
9
O empresário respondeu-lhe:
- Servem pra me tornar rico...
Por cada uma que eu acho,
Mais poderoso eu fico.
 10
Se alguém acha um diamante,
Que não pertença a ninguém,
Ele passa a ser o dono...
Passa a ter mais esse bem.
11
Se descubro uma estrela,
É minha em potencial;
Se ninguém a registrar
Tenho o domínio é total.
 12
Administro uma a uma
Conto-as todas as manhãs,
Ao fim do dia reconto...
Todas viram minhas fãs!
13
Vendo, o Príncipe, a ilusão,
Pôs-se logo a argumentar:
- E pra quê que servem elas?
Já alguém tas quis comprar?
14
- Não. Responde o empresário,
Mas coloco-as no armário,
Preencho um papel-depósito
E dou baixa no diário.
15
Pensou o Principezinho:
- Não lhe vejo utilidade;
É divertido e patético...
Sinal de senilidade.
16
Pois eu tenho uma flor,
Mas rego-a todos os dias;
Tenho também três vulcões
Que são minhas alegrias.
17
Mas sou útil aos vulcões,
Sou útil à minha flor;
E eles também são pra mim...
Tratamo-nos com amor.
18
Está na hora de ir embora,
De sair deste planeta
Dar adeus ao empresário
E arrumar minha maleta.
19
O Príncipe e o empresário
Tocam mútuas despedidas:
Palavras de gratidão
Foram as mais repetidas.
20
E o Príncipe foi andando
E cantarolando assim:
Só conta estrelas na terra
Quem desconhece o seu fim!

 

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