quarta-feira, 19 de novembro de 2014

XXV O GEÓGRAFO DOS LIVROS ENORMES

XXV

O ESCRITOR

DE LIVROS ENORMES

  
Sexto planeta, o maior,
Lá havia um escritor
Muito velho e experiente
Mas sempre de mau humor.
 2
Escrever livros enormes,
Que fugissem ao normal,
Era seu maior prazer...
Não existir nada igual.
 3
Vendo o Príncipe chegar,
Exclamou o pessimista:
- Chegou outro explorador...
De onde vens, ó meu artista?
- Que livros são, diz-lhe o Príncipe
Tão grandes que não têm fim!
Prefiro livros mais leves...
Tens aí algum pra mim?
 5
- Sou geógrafo-escritor;
Especialista em mares,
Oceanos, rios, montanhas...
Vou em todos os lugares.
- Isso é muito interessante,
Verdadeira vocação.
- Mas agora, diz-lhe o Príncipe:
Preciso uma informação:
 7
- No teu imenso planeta
 Há também algum deserto?
- Vou rever primeiro os livros
Ver se tudo ali stá certo.
- Mas tu não és o geógrafo?
Diz-lhe o Príncipe, o normal
É saber tudo de cor
Quem é bom profissional!
 9
- É verdade, sou geógrafo,
Não mais um explorador.
Falta gente a trabalhar...
Não tenho nem revisor.
 10
Não compete a mim sozinho
Escrever e conferir
Onde tem praia ou deserto
Ou se tudo está por vir.
 11
Geógrafo que se preza
Não deixa o seu escritório,
Nem troca o essencial
Por tudo o que é acessório.
 12
Recebo os exploradores,
Compro-lhes todas as notas
Dos relatos das viagens,
Novos percursos e rotas.
 13
Se mentiras eu descubro
Ou falsas informações
Que me levem a errar
Eu mato aqueles ladrões.
14 
Num livro de geografia,
Um erro é coisa fatal;
Por mais pequeno que seja,
Leva à descrença total.  
 15
O explorador mentiroso
Não merece fé alguma...
Tenta empacotar três ruas
Quando tem somente uma!
 16
E finaliza o geógrafo:
 - Mentir é como beber.
Bêbado vê tudo em dobro...
Diz que sabe o que fazer!
 
fim 

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