XXV
O ESCRITOR
DE LIVROS ENORMES
Sexto planeta, o maior,
Lá havia um escritor
Muito velho e experiente
Mas sempre de mau humor.
Escrever livros enormes,
Que fugissem ao normal,
Era seu maior prazer...
Não existir nada igual.
Vendo o Príncipe chegar,
Exclamou o pessimista:
- Chegou outro explorador...
De onde vens, ó meu artista?
- Que livros são, diz-lhe o Príncipe
Tão grandes que não têm fim!
Prefiro livros mais leves...
Tens aí algum pra mim?
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- Sou geógrafo-escritor;
Especialista em mares,
Oceanos, rios, montanhas...
Vou em todos os lugares.
- Isso é muito interessante,
Verdadeira vocação.
- Mas agora, diz-lhe o Príncipe:
Preciso uma informação:
- No teu imenso planeta
Há também algum
deserto?
- Vou rever primeiro os
livros
Ver se tudo ali stá certo.
- Mas tu não és o geógrafo?
Diz-lhe o Príncipe, o normal
É saber tudo de cor
Quem é bom profissional!
- É verdade, sou geógrafo,
Não mais um explorador.
Falta gente a trabalhar...
Não tenho nem revisor.
Não compete a mim sozinho
Escrever e conferir
Onde tem praia ou deserto
Ou se tudo está por vir.
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Geógrafo que se preza
Não deixa o seu escritório,
Nem troca o essencial
Por tudo o que é acessório.
Recebo os exploradores,
Compro-lhes todas as notas
Dos relatos das viagens,
Novos percursos e rotas.
Se mentiras eu descubro
Ou falsas informações
Que me levem a errar
Eu mato aqueles ladrões.
Num livro de geografia,
Um erro é coisa fatal;
Por
mais pequeno que seja,
Leva
à descrença total.
O explorador mentiroso
Não merece fé alguma...
Tenta empacotar três ruas
Quando tem somente uma!
E finaliza o geógrafo:
- Mentir é como beber.
Bêbado vê tudo em dobro...
Diz que sabe o que fazer!
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